Tinha sempre aquela sensação de beira de abismo.
Como se todo chão fosse palpável, de uma consistencia flácida.
Mas a beleza da areia movediça fascina, impele a tocá-la. Há contemplação em todo mistério.
Enquanto nada parecia estável, o céu brilhava.
E tudo era lindo, conquanto fosse estrela.
15/01/2012
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
"Quando você chegar, é mesmo que eu estar vendo você.
Sempre brincando de velho, me chamando de Pedro, me querendo menino que viu de relance.
Talvez um sorriso em homenagem à Pedro.
Pedro do mundo dum bom dum bom dum bom...
Fique quieto que tudo sana. Que a língua portuguesa, a língua da luz. A lusitana fez de você o primeiro guri.
Meu guri, meu gurizinho.
Água mole em pedra dura, pedra pedra até que Pedro."
Galvão/ Moraes Moreira
"Eu perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra terra traz coisas do ar
Aprendi o segredo, o segredo
O segredo da vida
Vendo as pedras que
Choram sozinhas no mesmo lugar
Vendo as pedras que
Sonham sozinhas no mesmo lugar"
Raul Seixas
E o karma da marca no corpo
De quem nunca pode partir.
O amor tem nome bem forte
E não pode contar com a sorte
De poder saber onde ir.
A própria sabedoria
Em forma miúda, chamada Sophia
O mar e a pedra não puderam sentir.
O balanço ameno conforme os anos
À rocha trouxe muitos enganos
E o mar afogou-se em si.
No desespero de viverem se encontrando
A água e a pedra, o ar imantando
O dilema da vida natural:
Por que não se unem sinceros
Ou se possuem eternos
Se o desejo da alma é imortal?
sábado, 15 de outubro de 2011
IV
E atirado no chão de cascalho,
Ria um riso quase ribeirinho.
"Tu te ris de mim?"
"Tu te ris de mim?"
Calou-se.
Prescrutava a imensidão do sol. Imantava a relação cósmico-pessoal como se um raio o tivesse percorrendo a traqueia para abrir-se trovão pela boca.
Dobrou-se de lado, retorcido.
Acordara agora para encenar a peça, que, inegável, terminara com o findo sopro.
Estirado entre carvalhos.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Poema Ébrio
Que suporte falho me ofereces!
Do sonho que tive, nada resta
É impossível ouvir as preces
Absorto no trânsito da sesta
E a madrugada atritante
Sorve-me como sorvo tragos
De qualquer algo excitante
Que me distraia te teus estragos!
E na mente hábil, conflitante
Cresce íntimo desejo atroz:
Ainda que dois errantes
Tão preciosos seríamos nós!
21/04/2011
Do sonho que tive, nada resta
É impossível ouvir as preces
Absorto no trânsito da sesta
E a madrugada atritante
Sorve-me como sorvo tragos
De qualquer algo excitante
Que me distraia te teus estragos!
E na mente hábil, conflitante
Cresce íntimo desejo atroz:
Ainda que dois errantes
Tão preciosos seríamos nós!
21/04/2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Frágil I
Pelas vielas ambivalentes
Há aqueles que se contemplam
Ó meu Bom Jesus da Lapa
Empresta pouco da luminescência
Para que se encontrar
Numa janela dessas, cerrada
A antagônica que adormece
Dentre escárnios e carícias
No peito do seu credor.
Abre portas, imola casas
Diz no ínfimo dessa gente sórdida
Que as vielas das almas
Encontram-se demasiado ocupadas
Com as putrefações do ego.
Mostra as crianças raquíticas
Os cachorros abandonados ao relento
E os jovens atormentados.
Mas não te esquece do feminino,
Do roto no ventre, o pródigo tirado
Os vícios que declinam suas peles
O amor de seu corpo arrancado.
A mancha precoce do eco.
21/01/2011
Há aqueles que se contemplam
Ó meu Bom Jesus da Lapa
Empresta pouco da luminescência
Para que se encontrar
Numa janela dessas, cerrada
A antagônica que adormece
Dentre escárnios e carícias
No peito do seu credor.
Abre portas, imola casas
Diz no ínfimo dessa gente sórdida
Que as vielas das almas
Encontram-se demasiado ocupadas
Com as putrefações do ego.
Mostra as crianças raquíticas
Os cachorros abandonados ao relento
E os jovens atormentados.
Mas não te esquece do feminino,
Do roto no ventre, o pródigo tirado
Os vícios que declinam suas peles
O amor de seu corpo arrancado.
A mancha precoce do eco.
21/01/2011
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