quinta-feira, 11 de outubro de 2012

amada flor



junção de tempo, paciência e expressão de amor
é a mais linda criação da natureza, amada flor
detentora de toda beleza da expressão solar
derrama suas pétalas de raio e vem me iluminar

jah bateu na minha porta quando te encontrei
disse pra mim em sonho e o sonho eu decorei
seu sorriso vem e enfeita a parede da memória
o amor que cresce muda toda a minha história

fruto das coisas mais lindas colhidas com apreço
dada pelas suas mãos que semearam o começo
e eu que me perdia acreditando me encontrar
descobri o que era lindo quando te vi irradiar

junção de tempo, paciência e expressão de amor
é a mais linda criação da natureza, amada flor
detentora de toda beleza da expressão solar
derrama suas pétalas de raio e vem me iluminar

então a chuva vem e purifica nosso infinito
só quero te dar o que houver de mais bonito
vamos levando a vida assim na boa vibração
que o que vier será presente de luz e gratidão

toca aquela música pra mim, enche tudo de amor
transbordo de alegria, e pra mim é eterna a flor
se morre a forma física, fica intacto o laço
encontrei a essência da paz em seu abraço

junção de tempo, poesia e expressão de amor
é a mais linda criação da natureza, amada flor ♥

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Tecido Arte

Não tenho medo de viver da arte.
O que me causa medo é a sua consumação
Que consome minha ação
Que, em suma, é encantar-se

Medo me dão as saias da arte
E em quantas léguas de suas pregas hei de perder-me
E em quantas de suas anáguas hei de encontrar sentido
E em quantas de suas rendas hei de descosturar-me...
Desconstruir-me.
Construindo, assim, o dia, a noite, a verdade dos homens.

O que me causa pavor não são as belas artes
São, ainda, as artes cruas
Em que cada ato é um desensaio, um devaneio, uma ascensão

É como temor de sentir-se contemplado
Por contemplar tamanha beleza,
Que, nem os vértices dimensionais de espaço ou tempo
Ainda que espremidos e sugados
Possam contar do infinito dessa moça...

Ah, bela moça arte, arte moça, artimanha
Sinto-me uma presa
Perdida na beleza
Do seu tear de aranha...

terça-feira, 4 de setembro de 2012

apenas um ponto

um ser que atrai a confluência de todas as energias transitantes
onde a absorção de toda convergência consome os instantes

a vulnerabilidade tem cheiro de carne fresca para quem disso se alimenta

esperança e força permeiam toda a extensão da confusão mental
não sei o que me move, nem pra onde, nem se é tudo natural

o ser biológico grita expressivamente externalizando a dor da abstinência

me agarro em mim na loucura febril que consome as madrugadas
sou minha própria salvação do ser que em mim fez sua morada

o ponto que oscila entre dois polos
o delírio que transpiro pelos poros

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

VI

"Toc toc toc toc"
- Abra seus olhos, Augustine.
Assim dizia a voz dentro da menina, que acordava assustada tentando entender o que aconteceu.
Depois de percorrer os olhos trêmulos pelo quarto, deixou-se suspirar aliviada ao perceber que, talvez, tudo não passasse de um sonho.
Pintava sua realidade com olhos de sonho.
Do olho nasciam flores de artifício, que explodiam ao som do coraçãobumba.
A vida lhe circulava solar luz de neon internamente para mostrar-se-lhe externa como quadros difusos, complexos e borboletantes de paixão.
- Bem vinda a mais um dia da sua vida, Augustine.
Parecera ter ouvido do Universo.

domingo, 26 de agosto de 2012

[descobrir o mundo na jornada interior - I]

                                       considerações iniciais: "descobrir o mundo na jornada interior"
                                       trata-se de uma série de experiências que viraram exercícios
                                       transpostos para o papel com a finalidade de alcançar a paz em
                                       suas diversas formas.


I - sobre o relacionar-se amorosamente com o outro

"Abandone a idéia de que o apego e o amor são uma coisa só. Eles são inimigos. É o apego que destrói o amor." - Osho

"O amor é isso. não prende, não aperta, não sufoca. Porque quando vira nó, já deixou de ser laço." - Mário Quintana


descobrir a identidade do outro dentro das relações é justamente isso. o desapego (não o descuido) é um exercício muito difícil de ser alcançado plenamente, começa doloroso, mas, aos poucos, mostra seus admiráveis efeitos no coração de quem o pratica e de quem é atingido pela sua prática. é ter a consciência de que o amor é feito de momentos, e que, na condição de outro ser humano, o ser relacionado não pode ter as mesmas sensações, nem viver à sombra de nós. é continuar admirando a autonomia que nos conquistou pela primeira vez, é não condicionar o relacionamento a padrões falhos, tampouco se apaixonar pelo comodismo que gera o convívio e a posse. é continuar apaixonado pelo ser, com todas as virtudes e aprendizados do seu caminho. é perceber que amar é coisa boa, e que não deve vir acompanhada das amarguras do medo, se não, perde seu sentido. é calma, maturidade, prova de amor sincero e puro.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

quando pesa amar

amor maduro todo dia me amadurece
posse é sentimento que não me apetece
o que hoje carrego não traz medo do escuro
tampouco escreve nomes no infinito do futuro

mesmo assim me sinto suja,
algo tenta me impedir,
são as correntes negras do apego
que vem direto dos confins do alter ego
prontas para me engolir

passo noites esquecendo
o que no dia tenta me atingir
é exercício de gente distinta:
faz-se com papel e tinta
para acostumar-se ao "deixar ir"

bloqueio criativo, black out, anulação
zero auto estima, auto mutilação
quando pesa amar
quando pesa o mar
de amor sem explicação...

terça-feira, 14 de agosto de 2012

fotografia de banho

o vermelho daqueles cabelos sangrou meus olhos de desgosto. não que já não soubesse o gosto que tem a tradição de "trair"; não há beleza na outra que se adorna de quem ontem me viu dormir. e é com imenso cuidado e sutileza que ele, em noites de calafrios, pega uma adaga e me acaricia a pele para cortar. não sei se me apeguei ao desespero que sinto ou se ao corpo físico, ou o que o valha. sei que é com navalha que ele me diz coisas bonitas sob a luz fraquinha, e diz que haveremos de nos separar. acho que escolhi o pior momento para me apegar. dor de tudo misturado faz liquidificador de sentimento, e num momento, tudo passa a ser inesperado. noite inteira com os olhos arregalados, até parece que me enforco ou me enxergo sufocar. não sei se ainda sou menina, e me agarro por medo de nada ter para agarrar, ou, pior de tudo, se esqueci do meu passado e reaprendi a amar.