segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

descolamento de rotina

quando a gente sonha sonho que se sonha só mas se sonha acordado
dá um medo danado que bloqueio criativo seja algo intuitivo
como se avisasse às asas que não é hora para voos, soam
velhos xilofones coloridos adormecidos pela mente infantil
e o adulto não pode dar tom ao som que ouve...
ouse!
houve um tempo assim.

depois o que aos dois olhos parecia belo.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

casa (05/12/2013) ou Carta à Pedro

rio de janeiro tinha um gosto de sujeira de subterrâneo.
e agora a saudade é como a raiz de uma árvore que quebra o asfalto.
a árvore que perdoou o homem pela sua sordidez.
eu te perdoei.
te perdoei e te quero.
te quero porque com você nenhuma semente era híbrida
te quero pelo que fomos, pelo seu rosto, pelo seu corpo, pelo nosso fruto que caiu antes de amadurecer...
te quero porque você foi a primeira coisa na vida que eu pude chamar de família.
te quero porque agora você habita outros litorais, litorais esses em que hei de plantar uma mudinha de mim.
te quero porque não importa o que eu faça nessa vida, você é o homem que me transformou no que eu sou.
te quero porque cada passo que eu dou tem uma métrica sua
e cada palavra que eu escrevo tem uma métrica sua
e cada palavra que eu falo tem uma frequencia sua
e cada pensamento que há em mim diz que eu sou sua
antes de nascer eu era sua.
eu preciso do mar. porque sou marina.
e preciso da pedra. porque você é pedro.
preciso atracar minha onda em você
porque o mar desesperado sem barreira sai lambendo toda a praia atrás do seu álibi.
preciso me lembrar de ter razão de existir.

um dia na vida eu pisquei os olhos e conheci o paraíso
num outro momento, quando pisquei novamente
brasília me caía como uma cidade pára quedas, na qual eu caí em queda livre e me acabei.

ninguém pode ser feliz com esses quadrados brancos.
preciso me embriagar urgentemente da sinuosidade natural das ondas e dos montes.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

XXXI

ele carregava o japão em cor nos olhos gêmeos e poentes de paraísos brasileiros.
o coração solar de um monge menino preservado em essência.


01/10/13

I

- palavras são só palavras, e cabem apenas em palavras -

a mãe de todas as mães morava também dentro dela e era nela que fazia a pergunta de para onde iam todas as coisas que eram sentidas e pensadas e nunca externalizadas.
17. um copo.
um sabor diferente de qualquer coisa existente. gosto de néctar de mistério da existência.
de repente uma revoada que a manteve voando, mas firme no tempo e espaço. 
yakacumã veio nas folhas das árvores. introduziu.
...........................................................
morte.
útero.

"...caberia no espaço lágrima de amor do infinito..."

a rainha é luz, e ela me levou.

as cores o som o cheiro a textura o gosto a intuição o espírito sinestesia sintonia sincronia empatia amor vida energia luz equilíbrio plenitude geometria dimensões o boom do universo tapete estelar o cosmos os irmãos de gaia a primeira experiência de gaia força a lua o alimento sonho o microcosmo o dom proteção animais magia cura sabedoria consciência terra planta água peixe ar borboleta fogo, a dança.
ela dançava. a primeira humana.
ancestral tataravó trisavó bisavó avó mãe eu, filha


aprendizado e gratidão.
ela vivera o todo que é tudo e é uno.
quando despertou, chorou até secar
pois tinha acabado de nascer.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

sintonia sincronia

...aquelas gotinhas caíam sobre os  meus ombros
e eu queria dançar dentro delas vistas da perspectiva dos meus olhos
era um contato fino e suspenso da alma em vida
ela sabia...

era você. sempre foi você.
estreitar os laços, os nós dos corpos na cama, a voz...
alguma vez eu já te disse o quanto respiro o timbre da sua voz?
eu consigo sentir
é um contato fino e suspenso da alma em vida
uma conexão ancestral de energias opostas que se unem
agora eu sei.

e a alma, as almas, tudo aquilo que aprendi com você
elas já sabiam.

domingo, 6 de outubro de 2013

eu não soube ler que o meio era o fim

"de consumo breve" escrito em kanjis
eu quis, ah como eu quis ir pra jeri...

mas sua placa "made in japan" dói demais
procurei em vão seus dons ancestrais
falas brasileiras eternas sem haikai

quem saberá se é nunca ou logo mais

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

No escuro do mundo havia uma planta
Sem escudo, a muda, para sua defesa
Eu escuto ela muda sobre aquela mesa
A esculpo e ela muda a cor de seu pranto.

08/13