quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Inerte

Na memória do seu rosto
Me jogo no anteposto
Como se sentisse o gosto
Daquilo que me completa

O milagre que disso emana
Ama. Chama e clama a sua presença

Nessa dança de opostos
Ficam rastros, ficam ossos
Mal colocados, sentados na cadeira
Cada gota que escorre da janela
Também é uma vela
Acesa na candeia

E na cadência do absurdo
Me faço em sussurros para te ouvir
Temos as luzes da cidade
Que se juntam às metades
Só para dividir

No meu peito, seu leito
Morada das noites em que sua voz pulsa como sangue quente
Me recordo do futuro
Como o que se faz maduro
Daquilo que existe ausente.

03/09/15

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Língua

O que me move
O que me prende
O que dissolve
O que suspende
O que me influi
E o que me afeta
- Contigo é na medida certa -
(Na seta do que surpreende)

Se algo fica do que se entende
Enquanto sua presença é voz
A descoberta do que se aprende
Vibrar o tom do querer em nós.

[eu aqui, entregue
deitada nua como se te ouvisse dedilhar meu corpo
suave e breve como quem cheira o gosto
de algo imutavelmente pele
de algo inefavelmente alma
calma, como se pudesse tocar a sua música.
Sua, como se houvesse tempo.]

Sal e saliva
Na linha da lambida
Livra
Dos enganos quando chega a vez
Se, como latinoamericanos
Amamos em português.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

grafite

trabalhar o tempo plasticamente como é o meu tempo existencial o tempo só existe quando pensamos na eternidade até que durem as circunstâncias o visível só existe quando pensamos no invisível


eu crio no vazio e no tumulto
crio no elogio e no insulto
me percebi parte do norte
e a sorte em mim

porque o destino está escrito no café, na fé, na borra de tudo
no rastro, no mastro, na parede e na pele
o destino muda quando pisco os olhos
se cai um cilio, me renovo
a  roda gira e a flor se abre
a vida porque ela é crua
e ciclicamente nos contempla
o destino está escrito na palma da nossa mão
no chão, na alma e no galpão
o destino está escrito a giz, a lápis, a partos e enterros
em pontes, folhas, fontes e cabelos
o destino é o destino dele mesmo


maio de 2015

Presença de Araras

06/08

De pedra e nuvem. São feitos os sonhos
Profecia: De longe se tecem encontros
Seus dedos tocavam a força das aguas
E de saia de areia, a noite girava
Encanto paria a lua
Que em seus olhos se enchia
E aquilo que eu me lembrava
Trançava o que eu me esquecia
E em cada luzinha n'água...
A noite beijava a boca do dia


"Sereia cantou, e veio dançar
Trazia na saia as águas do mar..."

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

XLIII

me perguntavam sobre a minha força e eu só via a forca e o véu da ilusão. já de antemão digo que preciso, e só vivo se respiro de fato quem eu sou. mas de fato, aonde estou? eu acordo e amanheço a lua, mas mesmo bela e nua insisto em vestir. estranho. por que feliz me acanho e me fecho dentro de mim? tanta água nos meus olhos quer cair... tanto abraço que disfarço e o sorriso que não abro e as flores por colher... faz doer. peço a deus diariamente a cura para uma mente que costumava ver estrelas. se escolho erradamente é como quando planto as sementes e esqueço de colhe-las. não as colho para mim e fico com gosto assim, de vontade de viver. dou um salto no infinito e lembro que o mais bonito é viver sem perecer. meu espírito solto precisa de amor. amor, coragem e encanto. enxugo meu pranto, pego a caneta e derramo tinta.
e de forma distinta, ainda que calada, escrevo poesia pra cobrir a madrugada...

10/14