sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Bromélias de Inverno

E quando parecia primavera
Eram as bromélias de inverno a alegrar o dia
E essa tempestade que meu coração governa
Cai serena para esconder toda a agonia

Olhei lá fora, senti seu cheiro no luar inverso
Levo comigo aquele momento, memória constante
Para dizer que te quero não poupo verso
E o uivo dessa ventania voraz canta esse instante.


05/11/2007

II

Tinha sempre aquela sensação de beira de abismo.
Como se todo chão fosse palpável, de uma consistencia flácida.
Mas a beleza da areia movediça fascina, impele a tocá-la. Há contemplação em todo mistério.
Enquanto nada parecia estável, o céu brilhava.
E tudo era lindo, conquanto fosse estrela.


15/01/2012
"Quando você chegar, é mesmo que eu estar vendo você.
Sempre brincando de velho, me chamando de Pedro, me querendo menino que viu de relance.
Talvez um sorriso em homenagem à Pedro.
Pedro do mundo dum bom dum bom dum bom...
Fique quieto que tudo sana. Que a língua portuguesa, a língua da luz. A lusitana fez de você o primeiro guri.
Meu guri, meu gurizinho.
Água mole em pedra dura, pedra pedra até que Pedro."
Galvão/ Moraes Moreira



                                                      "Eu perdi o meu medo
                                                        O meu medo, o meu medo da chuva

                                                       Pois a chuva voltando

                                                        Pra terra traz coisas do ar
                                                       Aprendi o segredo, o segredo

                                                       O segredo da vida

                                                        Vendo as pedras que 
                                                       Choram sozinhas no mesmo lugar
                                                        Vendo as pedras que
                                                        Sonham sozinhas no mesmo lugar"

                                                                                            Raul Seixas



Marina é o nome do porto
E o karma da marca no corpo
De quem nunca pode partir.

O amor tem nome bem forte
E não pode contar com a sorte
De poder saber onde ir.

A própria sabedoria
Em forma miúda, chamada Sophia
O mar e a pedra não puderam sentir.

O balanço ameno conforme os anos
À rocha trouxe muitos enganos
E o mar afogou-se em si.

No desespero de viverem se encontrando
A água e a pedra, o ar imantando
O dilema da vida natural:

Por que não se unem sinceros
Ou se possuem eternos
Se o desejo da alma é imortal?

sábado, 15 de outubro de 2011

IV

E atirado no chão de cascalho,
Ria um riso quase ribeirinho.
"Tu te ris de mim?"
Calou-se.
Prescrutava a imensidão do sol. Imantava a relação cósmico-pessoal como se um raio o tivesse percorrendo a traqueia para abrir-se trovão pela boca.
Dobrou-se de lado, retorcido.
Acordara agora para encenar a peça, que, inegável, terminara com o findo sopro.
Estirado entre carvalhos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Haikai Particular

Preciso de afeto
Para que encontre na casa do corpo
O meu teto.


06/07/2011

Poema Ébrio

Que suporte falho me ofereces!
Do sonho que tive, nada resta
É impossível ouvir as preces
Absorto no trânsito da sesta

E a madrugada atritante
Sorve-me como sorvo tragos
De qualquer algo excitante
Que me distraia te teus estragos!

E na mente hábil, conflitante
Cresce íntimo desejo atroz:
Ainda que dois errantes
Tão preciosos seríamos nós!


21/04/2011
O oco na sala deixa o apelo
Esperança que cabe no desespero
O nó na garganta, o nó no cabelo
E o toque cru na pele e no pelo.

A cruz e o fado do amor e do zelo.


 11/02/2011