Não tenho medo de viver da arte.
O que me causa medo é a sua consumação
Que consome minha ação
Que, em suma, é encantar-se
Medo me dão as saias da arte
E em quantas léguas de suas pregas hei de perder-me
E em quantas de suas anáguas hei de encontrar sentido
E em quantas de suas rendas hei de descosturar-me...
Desconstruir-me.
Construindo, assim, o dia, a noite, a verdade dos homens.
O que me causa pavor não são as belas artes
São, ainda, as artes cruas
Em que cada ato é um desensaio, um devaneio, uma ascensão
É como temor de sentir-se contemplado
Por contemplar tamanha beleza,
Que, nem os vértices dimensionais de espaço ou tempo
Ainda que espremidos e sugados
Possam contar do infinito dessa moça...
Ah, bela moça arte, arte moça, artimanha
Sinto-me uma presa
Perdida na beleza
Do seu tear de aranha...
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
terça-feira, 4 de setembro de 2012
apenas um ponto
um ser que atrai a confluência de todas as energias transitantes
onde a absorção de toda convergência consome os instantes
a vulnerabilidade tem cheiro de carne fresca para quem disso se alimenta
esperança e força permeiam toda a extensão da confusão mental
não sei o que me move, nem pra onde, nem se é tudo natural
o ser biológico grita expressivamente externalizando a dor da abstinência
me agarro em mim na loucura febril que consome as madrugadas
sou minha própria salvação do ser que em mim fez sua morada
o ponto que oscila entre dois polos
o delírio que transpiro pelos poros
onde a absorção de toda convergência consome os instantes
a vulnerabilidade tem cheiro de carne fresca para quem disso se alimenta
esperança e força permeiam toda a extensão da confusão mental
não sei o que me move, nem pra onde, nem se é tudo natural
o ser biológico grita expressivamente externalizando a dor da abstinência
me agarro em mim na loucura febril que consome as madrugadas
sou minha própria salvação do ser que em mim fez sua morada
o ponto que oscila entre dois polos
o delírio que transpiro pelos poros
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
VI
"Toc toc toc toc"
- Abra seus olhos, Augustine.
Assim dizia a voz dentro da menina, que acordava assustada tentando entender o que aconteceu.
Depois de percorrer os olhos trêmulos pelo quarto, deixou-se suspirar aliviada ao perceber que, talvez, tudo não passasse de um sonho.
Pintava sua realidade com olhos de sonho.
Do olho nasciam flores de artifício, que explodiam ao som do coraçãobumba.
A vida lhe circulava solar luz de neon internamente para mostrar-se-lhe externa como quadros difusos, complexos e borboletantes de paixão.
- Bem vinda a mais um dia da sua vida, Augustine.
Parecera ter ouvido do Universo.
- Abra seus olhos, Augustine.
Assim dizia a voz dentro da menina, que acordava assustada tentando entender o que aconteceu.
Depois de percorrer os olhos trêmulos pelo quarto, deixou-se suspirar aliviada ao perceber que, talvez, tudo não passasse de um sonho.
Pintava sua realidade com olhos de sonho.
Do olho nasciam flores de artifício, que explodiam ao som do coraçãobumba.
A vida lhe circulava solar luz de neon internamente para mostrar-se-lhe externa como quadros difusos, complexos e borboletantes de paixão.
- Bem vinda a mais um dia da sua vida, Augustine.
Parecera ter ouvido do Universo.
domingo, 26 de agosto de 2012
[descobrir o mundo na jornada interior - I]
considerações iniciais: "descobrir o mundo na jornada interior"
trata-se de uma série de experiências que viraram exercícios
transpostos para o papel com a finalidade de alcançar a paz em
suas diversas formas.
I - sobre o relacionar-se amorosamente com o outro
"Abandone a idéia de que o apego e o amor são uma coisa só. Eles são inimigos. É o apego que destrói o amor." - Osho
"O amor é isso. não prende, não aperta, não sufoca. Porque quando vira nó, já deixou de ser laço." - Mário Quintana
descobrir a identidade do outro dentro das relações é justamente isso. o desapego (não o descuido) é um exercício muito difícil de ser alcançado plenamente, começa doloroso, mas, aos poucos, mostra seus admiráveis efeitos no coração de quem o pratica e de quem é atingido pela sua prática. é ter a consciência de que o amor é feito de momentos, e que, na condição de outro ser humano, o ser relacionado não pode ter as mesmas sensações, nem viver à sombra de nós. é continuar admirando a autonomia que nos conquistou pela primeira vez, é não condicionar o relacionamento a padrões falhos, tampouco se apaixonar pelo comodismo que gera o convívio e a posse. é continuar apaixonado pelo ser, com todas as virtudes e aprendizados do seu caminho. é perceber que amar é coisa boa, e que não deve vir acompanhada das amarguras do medo, se não, perde seu sentido. é calma, maturidade, prova de amor sincero e puro.
trata-se de uma série de experiências que viraram exercícios
transpostos para o papel com a finalidade de alcançar a paz em
suas diversas formas.
I - sobre o relacionar-se amorosamente com o outro
"Abandone a idéia de que o apego e o amor são uma coisa só. Eles são inimigos. É o apego que destrói o amor." - Osho
"O amor é isso. não prende, não aperta, não sufoca. Porque quando vira nó, já deixou de ser laço." - Mário Quintana
descobrir a identidade do outro dentro das relações é justamente isso. o desapego (não o descuido) é um exercício muito difícil de ser alcançado plenamente, começa doloroso, mas, aos poucos, mostra seus admiráveis efeitos no coração de quem o pratica e de quem é atingido pela sua prática. é ter a consciência de que o amor é feito de momentos, e que, na condição de outro ser humano, o ser relacionado não pode ter as mesmas sensações, nem viver à sombra de nós. é continuar admirando a autonomia que nos conquistou pela primeira vez, é não condicionar o relacionamento a padrões falhos, tampouco se apaixonar pelo comodismo que gera o convívio e a posse. é continuar apaixonado pelo ser, com todas as virtudes e aprendizados do seu caminho. é perceber que amar é coisa boa, e que não deve vir acompanhada das amarguras do medo, se não, perde seu sentido. é calma, maturidade, prova de amor sincero e puro.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
quando pesa amar
amor maduro todo dia me amadurece
posse é sentimento que não me apetece
o que hoje carrego não traz medo do escuro
tampouco escreve nomes no infinito do futuro
mesmo assim me sinto suja,
algo tenta me impedir,
são as correntes negras do apego
que vem direto dos confins do alter ego
prontas para me engolir
passo noites esquecendo
o que no dia tenta me atingir
é exercício de gente distinta:
faz-se com papel e tinta
para acostumar-se ao "deixar ir"
bloqueio criativo, black out, anulação
zero auto estima, auto mutilação
quando pesa amar
quando pesa o mar
de amor sem explicação...
posse é sentimento que não me apetece
o que hoje carrego não traz medo do escuro
tampouco escreve nomes no infinito do futuro
mesmo assim me sinto suja,
algo tenta me impedir,
são as correntes negras do apego
que vem direto dos confins do alter ego
prontas para me engolir
passo noites esquecendo
o que no dia tenta me atingir
é exercício de gente distinta:
faz-se com papel e tinta
para acostumar-se ao "deixar ir"
bloqueio criativo, black out, anulação
zero auto estima, auto mutilação
quando pesa amar
quando pesa o mar
de amor sem explicação...
terça-feira, 14 de agosto de 2012
fotografia de banho
o vermelho daqueles cabelos sangrou meus olhos de desgosto. não que já não soubesse o gosto que tem a tradição de "trair"; não há beleza na outra que se adorna de quem ontem me viu dormir. e é com imenso cuidado e sutileza que ele, em noites de calafrios, pega uma adaga e me acaricia a pele para cortar. não sei se me apeguei ao desespero que sinto ou se ao corpo físico, ou o que o valha. sei que é com navalha que ele me diz coisas bonitas sob a luz fraquinha, e diz que haveremos de nos separar. acho que escolhi o pior momento para me apegar. dor de tudo misturado faz liquidificador de sentimento, e num momento, tudo passa a ser inesperado. noite inteira com os olhos arregalados, até parece que me enforco ou me enxergo sufocar. não sei se ainda sou menina, e me agarro por medo de nada ter para agarrar, ou, pior de tudo, se esqueci do meu passado e reaprendi a amar.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
e já passou
sou nobel da paz-ciência
dou aulas de decência,
de como não se importar
não tenho dinheiro nem talento
e o que fazer desse tormento
se eu quero viajar
não sirvo pra entreter
qualidade do meu ser
é a de me encantar
vou contando as histórias
repuxando da memória
me fazendo acreditar
(e se tudo é matéria palpável e sólida
como se explica o furor ardente
que tem a morena com a saia de roda?)
09/07/2012
dou aulas de decência,
de como não se importar
não tenho dinheiro nem talento
e o que fazer desse tormento
se eu quero viajar
não sirvo pra entreter
qualidade do meu ser
é a de me encantar
vou contando as histórias
repuxando da memória
me fazendo acreditar
(e se tudo é matéria palpável e sólida
como se explica o furor ardente
que tem a morena com a saia de roda?)
09/07/2012
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