domingo, 6 de outubro de 2013

eu não soube ler que o meio era o fim

"de consumo breve" escrito em kanjis
eu quis, ah como eu quis ir pra jeri...

mas sua placa "made in japan" dói demais
procurei em vão seus dons ancestrais
falas brasileiras eternas sem haikai

quem saberá se é nunca ou logo mais

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

No escuro do mundo havia uma planta
Sem escudo, a muda, para sua defesa
Eu escuto ela muda sobre aquela mesa
A esculpo e ela muda a cor de seu pranto.

08/13

Nos Olhos dos Bichos

Me solto da existência humana.
Imperceptível.
Leve bruma sem importância.

Qual foi a última vez
Que você ouviu o tino interior?
O sino que descamba
Pro lado das emoções...
Eu que sou carne e não pude
Desenvolver o pleno do que não é.

A preocupação sempre foi carne.
Se vive ou se come.

Carne. O podre do homem.
Eu, meio bicho, não soube me criar
Gente.
Moro no inconsciente.

O que não solve, traga
E isso me sorve e cega.
Meu Deus, me traga de volta
...Se é que existe o que me completa...


11/08/13

Captação da Imagem em Lares Opostos



Derrame seu pranto (santo) no calor de meio-dia
Quem ouvirá teu choro notívago?
Adormecem homens e as juntas e o corpo.
Dói a carne que sou e a que como
E doem os tinos timbrados dos sonhos
Lavei. Levei e fui no anteposto.
O que é aquilo e aonde me ataca?
Aquilo qualquer mais digno
Do que carregar essa existência
Que transforma códigos em informação.
Aonde eu moro em algum lugar lá fora?
Na mendicância do amor que a mim mesma desconheço...
Moro, de certo, no frêmito dos ventos
Nos lares onde ele passa apagando o fogo
E na imperceptíveis oscilações capilares.
Tu que lês um poema sem propósito,
Jamais saberias da tortura de escrever.

Eu sou a minha palavra.
E a minha palavra salva todos os dias a minha vida.

Lavrei.
Jurei-me íntegra e despedaço.


30/06/2013

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Largada de Véus

Eu e a fumaça e a nudez
O quadro da tortura à lucidez
Do meu corpo puro de amor
No quarto da cruz e do terror

Diminuta dentro do que existe
A Seiva Bruta, corrosiva e ilustre
Caem os panos da tragédia (triste)
Às sombras silenciosas do lustre

Eu de algozes branca e lívida
E os algodões crus dos sonhos
Projetam a cruz em meus ombros
Proteger é necessidade de vida

Me engole a cama e o chuveiro
Nas têmporas, as marcas dos dedos
Sentindo o sujo do sêmen
Agosto. À gosto do homem

Desfalecida
De nojo do falo
E das sereias malignas
Nuas e podres como Moscas mortas
Reajo, solfejo, bocejo ou grito?
Desisto!
O que não existe há de ser mais bonito

Eu me encerro no segundo fato
Entre a lembrança (seis e um ato)
Eu choro como cachoeira fria
E danço com a morte dentro da porta.


(28/08/13)

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

branco é branca

acordo
no pântano lamacento da saudade
esqueci que a cidade
me deixa à parte de você

pinta
tuas cores mais insanas
não há de haver santas
humanas
aonde estiver

branca
ô branca.
ar de vida de mulher.

seja gêmeo de mim e pulsa
me pega pelo braço e foge
de mim, de ti, do que vier

branca
ô branca
faz de mim o que tu quer.

corpo nu, desejo, chama
me chama, me ama, me engana, se quiser
me tranca de novo em seu quarto
puxa a trança dos meus cabelos opacos

antes que a saudade profane minha fé.