quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Língua

O que me move
O que me prende
O que dissolve
O que suspende
O que me influi
E o que me afeta
- Contigo é na medida certa -
(Na seta do que surpreende)

Se algo fica do que se entende
Enquanto sua presença é voz
A descoberta do que se aprende
Vibrar o tom do querer em nós.

[eu aqui, entregue
deitada nua como se te ouvisse dedilhar meu corpo
suave e breve como quem cheira o gosto
de algo imutavelmente pele
de algo inefavelmente alma
calma, como se pudesse tocar a sua música.
Sua, como se houvesse tempo.]

Sal e saliva
Na linha da lambida
Livra
Dos enganos quando chega a vez
Se, como latinoamericanos
Amamos em português.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

grafite

trabalhar o tempo plasticamente como é o meu tempo existencial o tempo só existe quando pensamos na eternidade até que durem as circunstâncias o visível só existe quando pensamos no invisível


eu crio no vazio e no tumulto
crio no elogio e no insulto
me percebi parte do norte
e a sorte em mim

porque o destino está escrito no café, na fé, na borra de tudo
no rastro, no mastro, na parede e na pele
o destino muda quando pisco os olhos
se cai um cilio, me renovo
a  roda gira e a flor se abre
a vida porque ela é crua
e ciclicamente nos contempla
o destino está escrito na palma da nossa mão
no chão, na alma e no galpão
o destino está escrito a giz, a lápis, a partos e enterros
em pontes, folhas, fontes e cabelos
o destino é o destino dele mesmo


maio de 2015

Presença de Araras

06/08

De pedra e nuvem. São feitos os sonhos
Profecia: De longe se tecem encontros
Seus dedos tocavam a força das aguas
E de saia de areia, a noite girava
Encanto paria a lua
Que em seus olhos se enchia
E aquilo que eu me lembrava
Trançava o que eu me esquecia
E em cada luzinha n'água...
A noite beijava a boca do dia


"Sereia cantou, e veio dançar
Trazia na saia as águas do mar..."

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

XLIII

me perguntavam sobre a minha força e eu só via a forca e o véu da ilusão. já de antemão digo que preciso, e só vivo se respiro de fato quem eu sou. mas de fato, aonde estou? eu acordo e amanheço a lua, mas mesmo bela e nua insisto em vestir. estranho. por que feliz me acanho e me fecho dentro de mim? tanta água nos meus olhos quer cair... tanto abraço que disfarço e o sorriso que não abro e as flores por colher... faz doer. peço a deus diariamente a cura para uma mente que costumava ver estrelas. se escolho erradamente é como quando planto as sementes e esqueço de colhe-las. não as colho para mim e fico com gosto assim, de vontade de viver. dou um salto no infinito e lembro que o mais bonito é viver sem perecer. meu espírito solto precisa de amor. amor, coragem e encanto. enxugo meu pranto, pego a caneta e derramo tinta.
e de forma distinta, ainda que calada, escrevo poesia pra cobrir a madrugada...

10/14

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

La loba

Uiva, vento, uiva
Uiva e canta um mistério para mim
Eu que tantas vezes permeio o fim...

Trancei meus cabelos com o fio da vida
Calcei meus pés com a força da rocha
No ventre trouxe a rosa
Das fêmeas esquecida...

Com as mãos teci os rios
Rogando, fio por fio
Para que Deus não esquecesse de nós
E com a mão que fiz, desfiz os nós

Do véu de ilusão que encobre a mulher
Da beleza perigosa que esconde a fé
Porque Deusas amanhecemos
E Deusas nos deitamos

Luz palpita no meu seio
Amuleto no meu peito
Se é pela lua que conhecemos
E por amor que recordamos.

Uiva, vento, uiva
Abençoadas estamos.