terça-feira, 19 de novembro de 2013

I

- palavras são só palavras, e cabem apenas em palavras -

a mãe de todas as mães morava também dentro dela e era nela que fazia a pergunta de para onde iam todas as coisas que eram sentidas e pensadas e nunca externalizadas.
17. um copo.
um sabor diferente de qualquer coisa existente. gosto de néctar de mistério da existência.
de repente uma revoada que a manteve voando, mas firme no tempo e espaço. 
yakacumã veio nas folhas das árvores. introduziu.
...........................................................
morte.
útero.

"...caberia no espaço lágrima de amor do infinito..."

a rainha é luz, e ela me levou.

as cores o som o cheiro a textura o gosto a intuição o espírito sinestesia sintonia sincronia empatia amor vida energia luz equilíbrio plenitude geometria dimensões o boom do universo tapete estelar o cosmos os irmãos de gaia a primeira experiência de gaia força a lua o alimento sonho o microcosmo o dom proteção animais magia cura sabedoria consciência terra planta água peixe ar borboleta fogo, a dança.
ela dançava. a primeira humana.
ancestral tataravó trisavó bisavó avó mãe eu, filha


aprendizado e gratidão.
ela vivera o todo que é tudo e é uno.
quando despertou, chorou até secar
pois tinha acabado de nascer.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

sintonia sincronia

...aquelas gotinhas caíam sobre os  meus ombros
e eu queria dançar dentro delas vistas da perspectiva dos meus olhos
era um contato fino e suspenso da alma em vida
ela sabia...

era você. sempre foi você.
estreitar os laços, os nós dos corpos na cama, a voz...
alguma vez eu já te disse o quanto respiro o timbre da sua voz?
eu consigo sentir
é um contato fino e suspenso da alma em vida
uma conexão ancestral de energias opostas que se unem
agora eu sei.

e a alma, as almas, tudo aquilo que aprendi com você
elas já sabiam.

domingo, 6 de outubro de 2013

eu não soube ler que o meio era o fim

"de consumo breve" escrito em kanjis
eu quis, ah como eu quis ir pra jeri...

mas sua placa "made in japan" dói demais
procurei em vão seus dons ancestrais
falas brasileiras eternas sem haikai

quem saberá se é nunca ou logo mais

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

No escuro do mundo havia uma planta
Sem escudo, a muda, para sua defesa
Eu escuto ela muda sobre aquela mesa
A esculpo e ela muda a cor de seu pranto.

08/13

Nos Olhos dos Bichos

Me solto da existência humana.
Imperceptível.
Leve bruma sem importância.

Qual foi a última vez
Que você ouviu o tino interior?
O sino que descamba
Pro lado das emoções...
Eu que sou carne e não pude
Desenvolver o pleno do que não é.

A preocupação sempre foi carne.
Se vive ou se come.

Carne. O podre do homem.
Eu, meio bicho, não soube me criar
Gente.
Moro no inconsciente.

O que não solve, traga
E isso me sorve e cega.
Meu Deus, me traga de volta
...Se é que existe o que me completa...


11/08/13

Captação da Imagem em Lares Opostos



Derrame seu pranto (santo) no calor de meio-dia
Quem ouvirá teu choro notívago?
Adormecem homens e as juntas e o corpo.
Dói a carne que sou e a que como
E doem os tinos timbrados dos sonhos
Lavei. Levei e fui no anteposto.
O que é aquilo e aonde me ataca?
Aquilo qualquer mais digno
Do que carregar essa existência
Que transforma códigos em informação.
Aonde eu moro em algum lugar lá fora?
Na mendicância do amor que a mim mesma desconheço...
Moro, de certo, no frêmito dos ventos
Nos lares onde ele passa apagando o fogo
E na imperceptíveis oscilações capilares.
Tu que lês um poema sem propósito,
Jamais saberias da tortura de escrever.

Eu sou a minha palavra.
E a minha palavra salva todos os dias a minha vida.

Lavrei.
Jurei-me íntegra e despedaço.


30/06/2013

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Largada de Véus

Eu e a fumaça e a nudez
O quadro da tortura à lucidez
Do meu corpo puro de amor
No quarto da cruz e do terror

Diminuta dentro do que existe
A Seiva Bruta, corrosiva e ilustre
Caem os panos da tragédia (triste)
Às sombras silenciosas do lustre

Eu de algozes branca e lívida
E os algodões crus dos sonhos
Projetam a cruz em meus ombros
Proteger é necessidade de vida

Me engole a cama e o chuveiro
Nas têmporas, as marcas dos dedos
Sentindo o sujo do sêmen
Agosto. À gosto do homem

Desfalecida
De nojo do falo
E das sereias malignas
Nuas e podres como Moscas mortas
Reajo, solfejo, bocejo ou grito?
Desisto!
O que não existe há de ser mais bonito

Eu me encerro no segundo fato
Entre a lembrança (seis e um ato)
Eu choro como cachoeira fria
E danço com a morte dentro da porta.


(28/08/13)