De quatro pela casa
Tentando alcançar
Minha pequena fera.
Hein, gatinho?
Achei tê-lo ouvido
Rir do meu desatino...
Nos engatinhamos
Do verbo Tornar-se Felino
E a cada olhar que me dirige,
Mais me fascina o pequenino.
16/03/2012
sábado, 21 de abril de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
XII
Ardia.
Precisava desvencilhar-se da imagem da carne daqueles lábios.
Ardia.
O dia escancarando a sua supremacia e a água quente descendo como um rio da panela esquecida.
E tudo ardia.
A brisa fria que despedia-se junto com a madrugada carburava o cigarro entre seus dedos por si só. Apreciava àquilo com tanta devoção, como sempre a fascinara o fogo em seus múltiplos aspectos.
Passava os olhos pelas páginas, mas tudo estava turvo por toda espécie de fumaça que enchia a casa de calor.
Mas faltava. Faltavam aqueles lábios...
Pegou o telefone, colocou-o na orelha. Súbito lembrou-se que não tinha a quem ligar.
Exitou.
Exitou.
Mas mirou a janela e deu-se conta de que era inverno.
E não há espaço para colapsos numa terça feira.
25/03/2012
E não há espaço para colapsos numa terça feira.
25/03/2012
VIII
Paralelo ao firmamento estavam aqueles belos olhos azulados.
Não proferia palavra. Parecia que tudo à sua volta era alheio aos pequenos planetas aquáticos que orbitavam contemplando a relva daquele quente dia de março.
Ao meu lado haviam dois gramados verdes na forma dos olhos do outro.
Dois perfeitos girassóis nasciam de sua pupila, no fundo verde forte de seus olhos.
Quis exitar. Mas os girassóis me contemplavam. Fiquei com eles.
Já que o planeta cujo meus olhos lunares orbitam, habita um outro corpo.
Raízes.
02/03/2012
Não proferia palavra. Parecia que tudo à sua volta era alheio aos pequenos planetas aquáticos que orbitavam contemplando a relva daquele quente dia de março.
Ao meu lado haviam dois gramados verdes na forma dos olhos do outro.
Dois perfeitos girassóis nasciam de sua pupila, no fundo verde forte de seus olhos.
Quis exitar. Mas os girassóis me contemplavam. Fiquei com eles.
Já que o planeta cujo meus olhos lunares orbitam, habita um outro corpo.
Raízes.
02/03/2012
X
Parou, olhou para o copo com enorme repulsa. Um inseto de listras amarelas.
Como poderia não ter percebido aquele gigante ali dentro?
Como em toda a sua vida, o copo estava meio cheio.
Quis beber. Digo, não o gim, nem o inseto, mas o copo. Tudo andava tão líquido...
Parou e ouviu uma voz. Seria aquela voz? Titubeou um pouco antes de dar-se conta que não era real, nem imaginário; de fato, o inseto estava falando com ela.
De repente estava pálida e atônita.
Arremessou o copo o mais longe que pôde.
O dono do café não gostou da cena, mas não se manifestou.
Ela, por ela mesma, levantou-se e sorriu meio débil. Há muito não se sentia tão infantil, e tão liberta.
Andava pelo Passeio Público.
Se espantou ao ver, meio a tanto líquido do lago, o inseto caminhando sobre a água.
Todos os seus fluidos corporais, naquele momento, a escorriam pelos olhos.
Apenas calmamente.
13/02/2012
Como poderia não ter percebido aquele gigante ali dentro?
Como em toda a sua vida, o copo estava meio cheio.
Quis beber. Digo, não o gim, nem o inseto, mas o copo. Tudo andava tão líquido...
Parou e ouviu uma voz. Seria aquela voz? Titubeou um pouco antes de dar-se conta que não era real, nem imaginário; de fato, o inseto estava falando com ela.
De repente estava pálida e atônita.
Arremessou o copo o mais longe que pôde.
O dono do café não gostou da cena, mas não se manifestou.
Ela, por ela mesma, levantou-se e sorriu meio débil. Há muito não se sentia tão infantil, e tão liberta.
Andava pelo Passeio Público.
Se espantou ao ver, meio a tanto líquido do lago, o inseto caminhando sobre a água.
Todos os seus fluidos corporais, naquele momento, a escorriam pelos olhos.
Apenas calmamente.
13/02/2012
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Bromélias de Inverno
E quando parecia primavera
Eram as bromélias de inverno a alegrar o dia
E essa tempestade que meu coração governa
Cai serena para esconder toda a agonia
Olhei lá fora, senti seu cheiro no luar inverso
Levo comigo aquele momento, memória constante
Para dizer que te quero não poupo verso
E o uivo dessa ventania voraz canta esse instante.
05/11/2007
Eram as bromélias de inverno a alegrar o dia
E essa tempestade que meu coração governa
Cai serena para esconder toda a agonia
Olhei lá fora, senti seu cheiro no luar inverso
Levo comigo aquele momento, memória constante
Para dizer que te quero não poupo verso
E o uivo dessa ventania voraz canta esse instante.
05/11/2007
II
Tinha sempre aquela sensação de beira de abismo.
Como se todo chão fosse palpável, de uma consistencia flácida.
Mas a beleza da areia movediça fascina, impele a tocá-la. Há contemplação em todo mistério.
Enquanto nada parecia estável, o céu brilhava.
E tudo era lindo, conquanto fosse estrela.
15/01/2012
Como se todo chão fosse palpável, de uma consistencia flácida.
Mas a beleza da areia movediça fascina, impele a tocá-la. Há contemplação em todo mistério.
Enquanto nada parecia estável, o céu brilhava.
E tudo era lindo, conquanto fosse estrela.
15/01/2012
"Quando você chegar, é mesmo que eu estar vendo você.
Sempre brincando de velho, me chamando de Pedro, me querendo menino que viu de relance.
Talvez um sorriso em homenagem à Pedro.
Pedro do mundo dum bom dum bom dum bom...
Fique quieto que tudo sana. Que a língua portuguesa, a língua da luz. A lusitana fez de você o primeiro guri.
Meu guri, meu gurizinho.
Água mole em pedra dura, pedra pedra até que Pedro."
Galvão/ Moraes Moreira
"Eu perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra terra traz coisas do ar
Aprendi o segredo, o segredo
O segredo da vida
Vendo as pedras que
Choram sozinhas no mesmo lugar
Vendo as pedras que
Sonham sozinhas no mesmo lugar"
Raul Seixas
E o karma da marca no corpo
De quem nunca pode partir.
O amor tem nome bem forte
E não pode contar com a sorte
De poder saber onde ir.
A própria sabedoria
Em forma miúda, chamada Sophia
O mar e a pedra não puderam sentir.
O balanço ameno conforme os anos
À rocha trouxe muitos enganos
E o mar afogou-se em si.
No desespero de viverem se encontrando
A água e a pedra, o ar imantando
O dilema da vida natural:
Por que não se unem sinceros
Ou se possuem eternos
Se o desejo da alma é imortal?
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